Como escrever uma carta de motivação para fazer faculdade no exterior

Carta de Motivação

Como escrever uma carta de motivação ou “Personal or motivational Letter” em uma universidade no exterior

 

Este artigo vai dar para você excelentes dicas para que possa aprimorar a escrita da sua carta de motivação ou o “personal” ou “motivational letter” a uma universidade no exterior.  

Mas como escrever uma boa carta de motivação para fazer uma faculdade no exterior? Será que preciso colocar palavras de efeito para que a universidade perceba a minha inteligência? Deve contar a história da minha vida? 

Quero te ajudar a entender importância da carta no processo de admissão, como ela deve ser escrita e te explicar a razão pela qual as instituições de ensino fora do Brasil consideram demais este documento. 


Importância do personal letter

 

O personal letter ou motivation letter é um dos documentos mais importantes do seu processo de admissão em uma faculdade no exterior, pois mostra como suas experiências pessoais, acadêmicas e profissionais te equipam para o curso que postula. É literalmente onde vende o seu peixe.

Além disso, a carta mostra o seu poder de articulação linguística, ou seja, como você organiza suas ideias no papel. E por que isso é importante? O leitor desta é carta provavelmente será um acadêmico, e é quem decidirá sua admissão. Caso o documento esteja mal articulado, ou as ideias não estejam claras, subentende-se que você terá dificuldade de acompanhar o programa. Em um curso muito concorrido isso será um diferencial. 

Em algumas universidades, a carta pode até mesmo decidir se conseguirá uma bolsa. Falo de grana alta. €2000, €3000. Já vi alunos ganharem até 5000 euros de desconto ou até mesmo bolsas integrais.  

A carta pode ser o único documento que a equipe de admissão saberá mais das suas qualificações ou experiência porque entrevistas não acontecem frequentemente. 

Consegue entender o impacto do documento? 


Como escrever a carta

 

Uma boa carta tem de 700 a 900 palavras, o que dá cerca de uma página e meia. Não é necessário escrever o Novo testamento. O “personal letter” é um documento muito conciso.  

Então quer dizer que devo colocar vária palavras bonitas e de efeito? 

Na verdade, tudo precisa estar bem estruturado. O famoso encher linguiça não agrega nada, na verdade atrapalha. 

Portanto, ao escrever sua carta considere os seguintes aspectos. 

  1. O leitor da sua carta. Geralmente são acadêmicos que esperam que você escreva como tal. E como é a linguagem usada nas universidades? Use o inglês formal. Cuidado ao replicar citações de filmes americanos porque a linguagem pode ser muito informal. 
  1. Evite contrações como “she’ll” ou “I’ve”. Isso demonstra um coloquialismo na língua.  Os famosos “phrasal verbs”, tão idolatrados em cursos de inglês pelo mundo afora, devem ser evitados. Todo phrasal verb tem um sinônimo formal que pode se encaixar no texto, use-os à vontade.

    E onde a língua inglesa é usada formalmente na sociedade? Procure por publicações que focam em público com maior senso crítico, como "The Guardian", no Reino Unido, Revistas americanas como a “Time” ou a britânica “The Economist”. Artigos acadêmicos também ajudam muito. Já ouviu falar do Google Scholars? Você pode encontrar excelentes publicações lá.  Entretanto, fuja de tabloides, jornais e revistas que só contam fofocas.
  1. A carta não é uma descrição da sua vida. Tudo que estiver na carta deve ter um impacto no programa que você deseja. Se você escreve detalhes como “eu vim de uma família humilde, venci na vida e é o meu sonho estudar no exterior”, você não está dizendo nada do que eles querem/precisam ler. O leitor pode pensar: Parabéns, mas como essa experiência vai te ajudar no programa?

    Fuja desses clichês.

  2. O inglês é uma língua objetiva. Tudo que você escreve precisa ser justificado e identificado para que sua mensagem seja clara.


Veja um exemplo:

“Era responsável por resolver os problemas da minha empresa.” 

O que falta nessa frase acima para seja clara o bastante? Pense por alguns segundos.
 

E então? Acima, falta clareza dos tipos de problema.  A palavra “problema” pode significar muita coisa, o leitor fica confuso. A sentença ficaria mais interessante se pontuasse:

“Era responsável por resolver os problemas financeiros da minha empresa.” ou

“Era responsável por resolver os problemas operacionais da minha empresa.”

 

Vamos ser ainda mais específicos? 

“Era responsável por resolver os problemas financeiros da minha empresa, realocando investimentos deficitários em fundos mais lucrativos a longo prazo. 


Consegue enxergar a evolução da estrutura? 

Essa é o maior desafio dos meus clientes. Sugiro ler e reler o texto para que o mesmo não fique vago.


  1. Use frases curtas. Seja curto e vá direto ao ponto. Isso te ajudará muito na sua escrita. Entenda que todo período em inglês precisa ter um sujeito muito claro. Se você usa em uma frase o pronome “we” o contexto deve identifica-lo muito claramente, como por exemplo “My friends and I, My colleagues and I”. Se empregar esse pronome simples, mas fora de contexto, pode fazer um parágrafo inteiro perder o sentido. Estruturando a carta desta maneira, vai te ajudar muito a manter suas ideias claras. 


A língua inglesa tem um acervo lexical muito mais amplo que o nosso idioma, portanto, faça uso das raízes latinas da língua saxônica, há muitas palavras bem parecidas com o português que são formais em inglês como commence, oscilate ou demosntrate, no entanto, só use o que souber. Não tente inventar. Assim o seu texto fará muito mais sentido.

 

Como estruturar sua carta de motivação?

 

Aqui não é uma regra, mas uma boa sugestão que funciona bastante. Você pode e deve dividir a sua carta de motivação em segmentos, pois ajuda demais o leitor e a concisão da mesma. Veja a divisão dos parágrafos:

  1. Introdução
  2. Experiências pessoais
  3. Experiências acadêmicas 
  4. Experiências profissionais 
  5. Conclusão 

 

Introdução

Aqui você salienta o propósito da carta e por que escolheu o curso X ou Y. Algumas universidades podem pedir que ressalte a razão da sua opção pelo país em questão e universidade. Evite clichês do tipo “o que me atraiu foi a qualidade de ensino da sua instituição” pois é muito genérico.  

Como eu consigo informações precisas? Vá ao site da instituição e verifique algo bastante particular como as instalações esportivas, programa de treinamento em conjunto com outros países e apoio de empresas, por exemplo. Mostre que conhece o lugar em que vai se inscrever. 

A universidade tem enorme interesse em saber por quais motivos você a escolheu. Este é o momento perfeito para você mostrar que se dedicou a pesquisar sobre a instituição, que se identifica com a metodologia de ensino e ter tal formação será fundamental seu futuro profissional. Essa é a melhor maneira de dizer que você tem muita vontade de estar lá, sem soar exagerado ou clichê.

 

Experiências pessoais, acadêmicas e profissionais

Os parágrafos que ressaltam suas experiências pessoais, acadêmicas e profissionais podem ser escritos respondendo as seguintes perguntas: 

  • O que você fez? – Dê exemplos- Isso traz clareza pro seu texto 
  • Como você fez? 
  • Qual foi o resultado/impacto da sua experiência?
  • Quais habilidades você adquiriu que podem ser relevantes para o curso que postula? 

Veja um exemplo abaixo em inglês de um parágrafo padrão. 

  • What have you done? (Manager at Hostel "Star")
  • How did you do it? (I organised guest booking)
  • What was the outcome/ results of my work? (Check-in at reception was faster due to automated bookings)
  • What do you learn? (Learned to operate different booking systems)

Sentence: 

"I was a manager at Hostel “Star”. In this role, I was responsible for guest bookings making them as automated as possible. As a result of my work, check-in at reception was fast which avoided queues during peak seasons. This experience enabled me to be more organised, using different booking systems."

Consegue ver a estrutura? Tente escrever desta maneira para cada experiência que mencionar.  Tudo o que você faz tem um impacto no curso


Conclusão da carta 

É importante também fazer uma ligação entre as habilidades e experiências que adquiriu ao longo da sua carreira com o conteúdo do curso em questão. Isso mostra aos examinadores que tem afinidade com o conteúdo e que pode aumentar e aplicar conhecimento em uma determinada área.

Aqui você demonstra como as suas experiências vão contribuir para o curso, o que você vai trazer de conhecimento na "bagagem". E ainda é importante explicar o como o programa vai agregar na sua vida profissional.
Seja específico. 

 

Considerações finais

Apresentei aqui alguns aspectos para que sua carta pessoal possa se sobressair em curso de graduação ou pós-graduação no exterior. O grande segredo é pensar sempre no seu leitor. Imagine escrever o e-mail com o mesmo conteúdo, mas um seria enviado para o seu namorado e outro para o presidente do Brasil. Apesar de conter a mesma informação, a estrutura seria diferente. 

Entenda as nuances formais da língua inglesa e foque em exemplos. Dê motivos para o leitor acreditar que é o melhor candidato do mundo, pois você é único. 

Meu nome é Paulo Santiago e já trabalho com educação superior internacional há mais de 10 anos, já corrigi centenas de cartas com essa.  Se desejar dicas, insights e mais informações sobre dicas sobre educação no exterior siga-me nas minhas redes sociais para ter informações relevantes e tomar uma decisão informada. 

 

 

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